5 de março de 2013

Março: Juventude nas ruas para avançar em direitos

Por: Alfredo Santos Júnior, secretário Nacional da Juventude da CUT
 
As transformações sociais que queremos em nosso país virão somente a partir de muita mobilização nas ruas. É com esta convicção que as ações da Juventude da CUT são orientadas e que nos dá base para afirmar que março será um mês decisivo para avançar em conquistas para a juventude trabalhadora brasileira.

No começo do mês, de 04 a 08 de março será realizado o 11º Congresso Nacional da Contag. São esperados cerca de 2500 delegados/as ao Congresso, no qual se debaterá a conjuntura nacional, focando nas políticas voltadas ao campo e as estratégias de organização sindical. O engajamento da juventude do campo nos debates de enfrentamento ao agronegócio, e de renovação no movimento sindical permeará todo o Congresso, e merece atenção de toda militância CUTista. Lutar por políticas que possam permitir à juventude brasileira o direito de permanecer no campo é uma tarefa não somente daqueles/as que sofrem com a falta de políticas públicas no campo, mas sim de todos/as que buscam construir um desenvolvimento sustentável em nosso país, com distribuição de renda e direitos garantidos.

No dia 06 de março, as atividades do Congresso da Contag se unificarão com a Marcha das Centrais Sindicais e dos movimentos sociais. Os eixos da marcha são: desenvolvimento, cidadania e valorização do trabalho. Entre as reivindicações estão a redução da jornada de trabalho para 40h sem redução de salários; igualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho; e a destinação dos 10% do PIB para educação.

A Juventude CUTista estará nas ruas lutando para que a valorização do trabalho esteja no centro do modelo de desenvolvimento com fortalecimento do Estado,  assim como pela radicalização da democracia em todos os espaços, desde as diferentes esferas de governo, até os locais de trabalho. A Plataforma da Classe Trabalhadora, construída pela CUT, expressa o modelo de desenvolvimento que seguimos defendendo desde as grandes mobilizações de rua, passando pelas negociações com as empresas e com o poder público, até os debates nos locais de trabalho. Esse modelo que defendemos combina crescimento econômico, valorização do trabalho e radicalização da democracia.

Logo após a Marcha das Centrais, teremos as atividades do dia Internacional de Lutas das Mulheres, o 8 de março. As mulheres estarão nas ruas por autonomia e igualdade; Por salário igual para trabalho igual, já que não existe nada, além do machismo estruturante em nossa sociedade, que justifique que os salários das mulheres sejam menores que o dos homens. Na pauta estarão ainda a luta por creches públicas; pela ampliação da licença maternidade e paternidade, ambas para seis meses; pelo fim da violência contra as mulheres, por uma reforma política que incorpore as mulheres nos espaços de poder; e pela autonomia destas sobre seus corpos e suas vidas. A igualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho é pauta fundamental da CUT.

Dia 21 de março, é o Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial. Sabemos o quanto a discriminação racial ainda é estruturante de nossa sociedade, e que, combinada com a discriminação de gênero se fazem cotidianamente presentes na juventude trabalhadora deste país. Ainda que tenha acessado novos postos de trabalhos, a população negra jovem assumiu as vagas mais precarizadas e se manteve como a maioria entre os trabalhadores/as em regime de informalidade, assim como a maioria entre os que estão em situação de desemprego. Além disso, a juventude negra é o principal alvo da violência em nosso país. Os homicídios são hoje a principal causa de morte de jovens de 15 a 29 anos no Brasil e atingem especialmente jovens negros do sexo masculino, o que nos permite afirmar que vivemos em uma realidade de um verdadeiro extermínio da nossa juventude negra. Dizemos basta ao genocídio da juventude negra. Lutamos por uma sociedade livre do machismo e do racismo, e por isso nos somaremos a mais estas mobilizações que irão ocorrer marcando esta data.

O final de março será marcado pelas atividades de ruas da Jornada Nacional de Lutas da Juventude Brasileira. Construção histórica inédita, esta Jornada unificada vem aglutinando uma imensa diversidade de movimentos juvenis que querem reformas estruturais em nosso país, que garantam um projeto de desenvolvimento social e que abram caminhos ao socialismo. O manifesto da Jornada afirma que esta juventude está em luta “por um desenvolvimento sustentável, solidário, que rompa com os valores do patriarcado, que assegure o direito universal à educação, ao trabalho decente, à liberdade de organização sindical, à terra para quem nela trabalha e o direito à verdade e à justiça para nossos heróis mortos e desaparecidos.”

As bandeiras de luta da Jornada estão organizadas em cinco grandes eixos que reivindicam: trabalho decente para a juventude; democratização da comunicação; reforma agrária; combate ao extermínio e violência contra a juventude negra; aumento de investimentos públicos para educação brasileira.

Serão milhares de jovens das principais cidades brasileiras que sairão as ruas para afirmar as necessidades de mudanças e de avanços em direitos para a juventude. Para a CUT, será um momento no qual poderemos avançar na disputa de consciência da juventude,  e rumo a conquistas de pautas concretas, como a aprovação da destinação dos 10% do PIB para educação pública e do Estatuto da Juventude. Fundamentais para a garantia e ampliação de direitos, o Estatuto e os 10% do PIB serão destaques nas manifestações da Jornada da Juventude, especialmente no dia 27/03, em Brasília.

A Juventude tomará as ruas de norte a sul do Brasil. A CUT convoca todos e todas a se somarem a estas lutas. Será através destas mobilizações que avançaremos na disputa de hegemonia da sociedade e que poderemos cumprir o papel histórico desta nova geração de militantes: aproveitar o cenário positivo que ajudamos a construir na última década para conquistar direitos e realizar as necessárias reformas estruturantes do nosso país.

Todos e todas às ruas! Somos Fortes, Somos CUT!

1 de março de 2013

Por mudanças estruturais e avanços em direitos, juventude vai às ruas

Em encontro inédito e plural, movimentos constroem as bases para a Jornada Nacional de Lutas da Juventude
 
Um encontro inédito de dimensões históricas para a sociedade brasileira. Assim, mais de vinte movimentos que organizam a juventude no Brasil reunidos no Sindicato dos Químicos de São Paulo aprovaram e lançaram o Manifesto que balizará as ações da Jornada Nacional de Lutas da Juventude Brasileira.
 
Para ler a matéria completa, acesse o site da CUT, clicando aqui.

25 de fevereiro de 2013

Vamos ajudar os companheiros da Nissan nos EUA

Os trabalhadores na Nissan em Canton, Mississippi, EUA, querem decidir por ter ou não representação sindical, livres de intimidação. Os trabalhadores querem ter VOZ! 

Use a sua para pedir que a Nissan faça melhor, acessando www.dobetternissan.org

Também curta a página da campanha pela sindicalização na Nissan, promovida pela UAW Brasil no Facebook clicando aqui!

18 de fevereiro de 2013

Jornada de Lutas da Juventude Brasileira

 
Ocorre no próximo dia 20 a Reunião "Jornada de Lutas da Juventude Brasileira". Dezenas de organizações, entidades e movimentos sociais da juventude já se articulam nacionalmente para a construção de uma grande Jornada Nacional.
 
A etapa estadual da construção da jornada começa agora, e os movimentos convocam todos os grupos interessados a fazer parte dessa luta para reunião na próxima quarta, às 19h, na Rua Vergueiro nº 2485.
 
Compareça!
 

14 de fevereiro de 2013

Campanha pelo Contrato Coletivo Nacional será intensificada este ano

Federações e sindicatos filiados à CNM/CUT organizam atividades para que a pauta nacional esteja presente nas negociações das campanhas salariais de 2013
 
A campanha pelo Contrato Coletivo Nacional de Trabalho (CCT) está sendo intensificada neste início de 2013 e atividades estão sendo marcadas em todo o país. No final deste mês, será realizado o Seminário Estadual em Minas Gerais. Em março, atividade semelhante acontecerá no Rio Grande do Sul. Em outros Estados e regiões, sindicatos e federações também estão organizando as ações.

O objetivo é que, nas campanhas salariais deste ano, os cinco itens da pauta do CCT – aprovados na Conferência Nacional sobre Negociação Coletiva, realizada em novembro – sejam incorporados às reivindicações nas negociações locais. “Estamos otimistas com a campanha, porque estamos partindo de reivindicações que não têm, diretamente, cunho econômico e, assim, podem se tornar o início de direitos iguais para a categoria em todo o país”, informa Paulo Cayres, o Paulão, presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT, destacando que, na sequência, a categoria quer chegar a um piso nacional de salários e a direitos sociais e econômicos únicos em todo o país.
 
“Ao longo de 2012 e no início deste ano, percorri praticamente todos os sindicatos filiados à CNM/CUT para, além de sentir de perto a realidade local, conversar com as direções e militantes sindicais sobre a importância do Contrato Coletivo e as formas de lutar por ele”, afirma o presidente da Confederação.
 
O Contrato Coletivo de Trabalho é uma bandeira de luta antiga dos metalúrgicos e a CNM/CUT avalia que, com o desenvolvimento consistente dos últimos anos no Brasil, há um cenário econômico estável, que permite avançar nas negociações com os setores empresariais.
 
Na Conferência Nacional de novembro, o assunto foi discutido de maneira aprofundada e a pauta de reivindicações aprovada levou em consideração a realidade dos quase 80 sindicatos de metalúrgicos filiados. “Agora, vamos viabilizar a campanha em toda a base”, ressalta Paulão.
 
Confira aqui as cláusulas aprovadas na Conferência:

* Creche:
- será garantida para crianças de zero a seis anos
- a creche será de livre escolha dos pais ou responsáveis legais
- o reembolso do auxílio creche será de, no mínimo, 50% do piso salarial da categoria
- o direito será garantido não apenas para mães, mas também para pais, responsáveis legais e adotantes
 
* Acesso ao local de trabalho:
- será garantido o acesso aos dirigentes e assessores sindicais ao local de trabalho para o desenvolvimento de todas as atividades sindicais, como assembleias, eleições do Sindicato e da CIPA e, incluisive, para campanhas de sindicalização
 
* CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes)
- será garantido o direito do Sindicato participar de todo o processo eleitoral da CIPA e, inclusive, o de indicar o secretário geral
- o tempo para atuação dos cipeiros e suplentes será definido em conjunto pela CIPA eleita, o Sindicato e a empresa
- o mandato será de dois anos, sem limitação para reeleição para o 2º mandato
- será garantida a estabilidade para o suplente
-  será garantida eleição da CIPA em empresas com menos de 20 trabalhadores  (não prevista na NR-5)
 
* Demissões:
- todas as rescisões serão feitas no Sindicato
- no pedido de dispensa pelo trabalhador, não será aplicada penalidade de pagamento de aviso prévio
- a empresa pagará multa de dois salários nominais após vencido prazo de 10 dias para o pagamento das verbas rescisórias
- nas demissões por justa causa, o motivo será comunidado por escrito ao trabalhador e ao Sindicato
- no prazo de 20 dias após a demissão por justa causa, será garantido o direito do trabalhador e do Sindicato apresentarem a defesa
 
* Duração e distribuição da jornada:
- será fixada limitação semanal, mensal e anual da jornada de trabalho, para inibir as horas extras
- nos turnos de revezamento, será garantido número mínimo de folgas aos domingos
- nos turnos de revezamento, serão estabelecidos critérios que contemplem condições de vida para mulehres e estudantes
- a implantação de turnos especiais só será feita mediante estudo do Sindicato sobre os impactos nas condições de vida dos trabalhadores
- a compensação de feriados prolongados só será estabelecida mediante votação secreta, que acontecerá com antecedência mínima de 30 dias
- compesação aos sábados: não haverá compensação se coincidir com feriados e, em caso de trabalhar, serão pagas horas extras; se não houver trabalho aos sábados, a compensação será feita de segunda a sexta-feira
- em caso de interrupção da jornada pela empresa, o período será remunerado e não poderá serr compensado
 
Fonte: CNM/CUT    

6 de fevereiro de 2013

Plenária Nacional das Juventudes

CUT e movimentos sociais realizam no dia 23/02 atividade preparatória à Jornada Nacional de Lutas da Juventude

De 25 de março a 1º de abril acontece a Jornada Nacional de Lutas da Juventude, evento organizado pela CUT em conjunto com diversos movimentos sociais e de juventude de todo o país. Durante esse período, milhares de jovens tomarão as ruas das principais capitais movidos por um ideal: mudar o Brasil e conquistar mais direitos para juventude. 

Várias ações estão previstas e já confirmadas, como as mobilizações nos dias: 26/03 em São Paulo, 27/03 em Brasília e 28/03 no Rio de Janeiro.

Como parte do processo de construção da Jornada, no dia 23/02 acontece a Plenária Nacional das Juventudes, atividade coordenada pela CUT, MST, Fora do Eixo, Levante e UJS. O evento será realizado no Sindicato dos Químicos de SP e contará com debates sobre conjuntura, comunicação, mobilização e desafios para o futuro da jornada.

O envolvimento e empenho de todo o Coletivo Nacional de Juventude da CUT é fundamental para que a Central cumpra seu papel protagonista, pautando firmemente a defesa dos direitos da juventude, especialmente no tema do trabalho.

Mais informações sobre a Plenária e a Jornada podem ser obtidas na Secretaria Nacional de Juventude da CUT: juventude@cut.org.br ou (11) 2108 9116.

Consulte também o documento convocatório da jornada, com os eixos de luta e as pautas prioritárias.
 
Fonte: CUT

4 de fevereiro de 2013

Juventude: projeto FES-Industriall realiza encontro de coordenadores na Alemanha

Reunião da coordenação do projeto definiu novas ações para a juventude
 
Grupo de coordenação e jovens alemães que participam do projeto
Entre os dias 22 e 27 de janeiro, uma equipe formada por assessores da CNM/CUT e CNQ/CUT (Brasil), SMATA e UOM (Argentina) reuniu-se com companheiros do departamento de formação do sindicato alemão IG Metall, em Sprockhövel, durante seminário de monitoramento do projeto de Jovens promovido em parceria pela Fundação Friedrich Ebert (FES) e pelo Industriall (sindicato global dos trabalhadores nas indústrias química, têxtil e metalúrgica).
 
Trata-se de um projeto de três anos (2012-2014) que reúne jovens de nove países, com o objetivo de capacitá-los como novas lideranças sindicais. Por isso, uma das metas é fazer com que principalmente os participantes latino-americanos, de países com forte perseguição sindical, como Colômbia, Nicarágua e Chile, conheçam as estruturas sindicais brasileira, argentina e alemã, que estão em estágios de organização mais avançados.
 
Coordenadores reunidos em Sprockhövel, Alemanha
Além disso, todos os participantes realizarão algum tipo de ação sindical que estimule a participação de jovens trabalhadores nas fábricas em que trabalham ou nos sindicatos. “Trata-se de uma espécie de exercício político, por meio do qual eles poderão entender passo a passo como se dá o processo de articulação de uma determinada atividade dentro das estruturas sindicais. Aprenderão na prática a realizar um plano de ação sindical e os caminhos para obter êxito para sua tarefa”, disse Valter Bittencourt, assessor responsável pelo projeto na CNM/CUT.
 
Como a etapa brasileira já ocorreu em novembro de 2012 em Praia Grande (SP), o encontro serviu para que fosse feita a avaliação deste primeiro encontro do grupo, e também para construir o planejamento estratégico e a programação dos próximos dois encontros que acontecerão em agosto deste ano e em maio de 2014, na Argentina e Alemanha, respectivamente.
 
Além disso, todos os coordenadores fizeram uma capacitação para utilização da plataforma digital de ensino desenvolvida pelos formadores alemães e que será o ponto de encontro virtual dos jovens trabalhadores para acompanhamento das tarefas individuais e para que tenham acesso a diversas informações complementares sobre os países participantes no projeto no intervalo entre os encontros presenciais. A plataforma ainda permite a realização de videoconferências e outras atividades relativas ao projeto.
 
Fonte: CNM/CUT

1 de fevereiro de 2013

CUT é contra a exploração do voluntariado durante eventos da Copa

Central defende que megaeventos esportivos como a Copa gerem trabalho decente
 
 
Para a Central Única dos Trabalhadores, a Copa das Confederações e a Copa do Mundo, que o Brasil vai sediar este ano e em 2014, respectivamente, são eventos estratégicos para o País avançar, investir em infraestrutura, transporte e mobilidade urbana e, sobretudo, para gerar renda e emprego decente.

O balanço financeiro da FIFA referente à Copa do Mundo de 2014 revela que o evento já rendeu, só no ano passado, cerca de R$ 1,6 bilhão para a entidade – cerca de R$ 68 milhões de lucro. Com os bilhões de dólares em lucro que a entidade vai acumular até a realização dos eventos, é injustificável a contratação de cerca de 50 mil voluntários/as sem remuneração, com jornada de seis a dez horas por dia, sem possibilidade de assistir aos jogos, durante vinte dias corridos. Essa proposta não pode ser tolerada, muito menos incentivada pelos governos e por entidades que representam parcelas significativas da juventude.
 
O trabalho voluntário é importante quando realizado em entidades sem fins lucrativos e a própria Legislação brasileira proíbe que entidades que realizam eventos lucrativos, como a Copa, explorem o voluntariado. Contudo, à revelia da indignação de diversos setores da sociedade, que se manifestaram contra, a Lei Geral da Copa sobrepôs-se e desrespeitou esta e diversas outras garantias legais duramente conquistadas pela classe trabalhadora brasileira.
 
Apoiar o voluntariado neste caso significa estimular o lucro fácil e prejudicar milhares de jovens e o país. No primeiro caso, porque vagas de empregos renumerados deixarão de ser criadas. No segundo porque, sem trabalho remunerado parte do lucro que poderia ficar circulando no Brasil, irá diretamente para os cofres da FIFA e das multinacionais, que terão, ainda, isenção de impostos para transações financeiras. Neste sentido, a CUT critica veementemente o uso de mão de obra voluntária nesses dois eventos esportivos.

O Brasil é o único país do mundo que aprovou uma Agenda Nacional de Trabalho Decente para a Juventude, fruto de discussões entre o governo, organizações de empregadores, de trabalhadores e entidades juvenis. A CUT foi protagonista na construção desta agenda e seguirá firme na defesa do direito da Juventude em ter trabalho decente.

Somos fortes, somos CUT.

EXECUTIVA NACIONAL DA CUT

6 de dezembro de 2012

Quase metade dos Metalúrgicos do ABC tem até 35 anos

Cerca de 51 mil dos 104 mil na base dos Metalúrgicos do ABC têm até 35 anos, afirma estudo da subseção Dieese da FEM/CUT-SP. No Estado de São Paulo, perto de 140 mil trabalhadores em um total de 250 mil na categoria estão com a mesma idade
 
 
Estudo da subseção Dieese da Federação Estadual dos Metalúrgicos da CUT (FEM/CUT-SP) revelou que 49,2% dos Metalúrgicos do ABC têm até 35 anos de idade. Ou seja, cerca de 51 mil companheiros, de um total de 104 mil trabalhadores, são jovens.
 
O levantamento foi elaborado com base nas informações da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério do Trabalho e reúne dados sobre a atividade dos trabalhadores no País.
 
“Esses jovens metalúrgicos trabalham basicamente nas funções ligadas à produção, como operador de máquinas, alimentador da linha de produção, soldador, montador de veículos, prensista, mecânico, entre outros”, explicou Luiz Carlos da Silva Dias, o Luizão, secretário de Formação da FEM/CUT-SP.
 
São Paulo
No Estado de São Paulo os metalúrgicos com até 35 anos representam 55,7% da categoria. São cerca de 140 mil trabalhadores do total de 250 mil companheiros que fazem parte da base da FEM/CUT-SP.
 
Dividindo por atividade, os setores que mais empregam jovens no Estado são o aeroespacial (69,4%), eletroeletrônico (65,4%), outros materiais/transportes (65,3%), naval (61,7%), máquinas e equipamentos (57,2%), siderurgia/metalurgia básica (56,2%) e automotivo (50,1%).
 
Considerando o gênero, 22,5% são mulheres no Estado e a maior concentração delas está no setor eletroeletrônico (52,1%).
 
“Demitir o jovem é mais barato”
Para Wellington Damasceno, da Juventude Metalúrgica do ABC, os principais desafios para o jovem que está iniciando sua carreira são a diminuição da rotatividade e lutar por mais qualificação profissional.
 
No Estado, a rotatividade dos metalúrgicos até 35 anos chega a 39,7%, enquanto na média entre todos os companheiros o índice é de 30,4%. Na base do ABC a média geral é de 17,4%, segundo dados da Subseção do Dieese na FEM/CUT-SP.
 
“Para as empresas custa menos demitir o jovem porque ele recebe salário menor e os encargos são menores. Por isso em nossa idade a rotatividade é grande”, denuncia Wellington.
 
Mais qualificação
Uma das bandeiras de luta do Sindicato que a Juventude Metalúrgica apoia intensamente é trazer para a região uma unidade da Escola Técnica Federal para superar a deficiência na formação profissional dos trabalhadores.
 
“Queremos também que os jovens cheguem às fábricas preparados, invertendo a lógica perversa onde o trabalhador precisa trabalhar para pagar os estudos”, Wellington.
 
Ele acredita que o número de jovens na base deve aumentar, pois a chegada cada vez maior de novas tecnologias nas fábricas abrirá espaço para quem está se formando nas faculdades e escolas de tecnologia.
 
“É um processo de renovação contínuo, que está presente nos meios de produção já faz muito tempo. A mão de obra jovem e mais qualificada será um dos motores da indústria do País nos próximos anos”, finalizou Wellington.
 

4 de dezembro de 2012

Jovens trabalhadores se organizam para a integração do sindicalismo mundial

Intercâmbio conduzido pela IndustriALL Global Union reuniu jovens que trabalham nas indústrias metalúrgica, química e têxtil de nove países, com o objetivo de qualificar a sua atuação nos sindicatos e organizá-los internacionalmente
 
Cerca de 40 participantes de nove países estiveram reunidos na Praia Grande-SP
“É preciso formar novos quadros para o movimento sindical com qualidade. Este encontro, com certeza, foi uma atividade muito importante na qualificação de jovens sindicalistas”. A avaliação é do secretário da Juventude da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT, ao referir-se ao Intercâmbio Sindical Internacional para Jovens Trabalhadores da América Latina e Alemanha.
 
O encontro, que durou cinco dias e foi encerrado na última sexta-feira (30), foi o primeiro voltado para a juventude organizado pela IndustriALL Global Union – a entidade sindical internacional que congrega as entidades sindicais de trabalhadores dos setores metalúrgicos, químico e têxtil –, em parceria com a Fundação Friedrich Ebert. Reuniu 40 jovens dos três setores do Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile, Colômbia, Peru, Nicarágua e Alemanha.
 
Ao longo dos cinco dias de intercâmbio, os participantes puderam – além de trocar experiências e informações sobre as práticas sindicais nesses países – conhecer mais a fundo o sindicalismo brasileiro e os projetos da CUT e da Força Sindical. “Os trabalhadores dos outros países tiveram a oportunidade de ter contato com a ação sindical que nós, cutistas, desenvolvemos para a juventude e também compreender o que diferencia a atuação das duas centrais sindicais brasileiras no que se refere à concepção e prática sindical e às políticas de gênero, por exemplo”, informou Leandro Soares.
 
O secretário da Juventude da CNM/CUT destacou ainda que foi possível constatar as diferentes realidades no movimento sindical dos países participantes. Ele destacou, como aspecto negativo, a prática antissindical e repressiva na Colômbia – com assassinatos de dirigentes sindicais – e o grau de organização sindical na Alemanha, como os dois extremos no cotidiano das entidades dos trabalhadores.
 
“Estes relatos só comprovaram para os participantes a importância da união internacional entre os trabalhadores e também, no nível nacional, da união entre os trabalhadores do ramo industrial para combater as práticas nocivas e para fortalecer a organização sindical”, assinalou Leandro.
 
O Intercâmbio foi realizado na Praia Grande (SP) e, além das reuniões, palestras e oficinas, os participantes visitaram uma indústria química em Cubatão – do grupo Vale – e a unidade da Mercedes Benz em São Bernardo do Campo. Conheceram também a sede da Rede TVT (a TV dos Trabalhadores, emissora de televisão outorgada ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, filiado à CNM/CUT) e as instalações da Força Sindical. “Com certeza, este primeiro intercâmbio organizado pela IndustriALL contribuirá muito para qualificar a ação sindical dos jovens sindicalistas em seus sindicatos e junto aos trabalhadores”, ressaltou o dirigente da CNM/CUT.
 
O projeto da IndustriALL terá mais duas etapas. Em agosto de 2013, haverá o encontro na Argentina e em 2014, na Alemanha. Mas os trabalhadores envolvidos continuarão suas atividades de intercâmbio por meio de plataforma de internet criada pelo IG Metall – o sindicato de metalúrgicos da Alemanha –, que permitirá videoconferências, abrigará um blog e permitirá ainda atividades de ensino à distância.
 
Projeto SASK
 
A coordenação do projeto IndustriALL-Sask, voltado para jovens de cinco países
Antes deste intercâmbio, também na Praia Grande, foi realizado nos dias 23 e 24 o encontro da coordenação de outro projeto voltado para a juventude trabalhadora do ramo industrial. Trata-se da parceria entre a IndustriALL e a Sask, centro de solidariedade do movimento sindical da Finlândia, voltado para cinco países latino-americanos: Brasil, Uruguai, Colômbia, Nicarágua e México.
 
O projeto tem o objetivo de formar novas lideranças sindicais dos setores metalúrgico, químico e têxtil e será conduzido de 2013 a 2015. Dele participarão 25 jovens de cada país. No caso do Brasil, estes trabalhadores são das bases de sindicatos da CUT e da Força Sindical. Haverá dois encontros anuais por país e cada nação terá dois representantes na coordenação para definir as ações, que têm o objetivo de expandir a atuação dos jovens no movimento sindical. Este ano, foi feito o projeto piloto.
 
Fonte: Imprensa CNM/CUT