31 de maio de 2012

Empregos verdes e a luta da CUT por Trabalho Decente para a juventude

Por Rosana Sousa, secretária nacional de Juventude da CUT
 
A Central Única dos Trabalhadores (CUT Brasil) compreende que o desenvolvimento deve abarcar a sustentabilidade política, econômica, ambiental e social com o Estado assumindo papel de indução desse processo, segundo princípios democráticos, com garantia de direitos, especialmente a liberdade de organização e o emprego formal de qualidade.

O conceito de “desenvolvimento sustentável” representou importante conquista política da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento: a Rio92. Nessa ocasião, foi consolidado o entendimento de que o tratamento dado às questões ambientais não poderia avançar sem que, conjuntamente, fossem considerados os aspectos sociais e econômicos envolvidos na promoção da sustentabilidade.

A Rio+20 realizada em junho próximo, será o momento de avaliar a implementação das recomendações das Conferências anteriores e identificar questões novas, além de tratar de dois temas específicos “uma economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza” e o “quadro institucional para o desenvolvimento sustentável”. A Juventude da CUT irá combater a ideia de uma economia verde que mercantiliza a natureza, produzindo saídas à crise ambiental pela via do mercado.

Iremos intervir em três temas centrais, em conjunto com a CSA: a) taxações e fiscalização ambiental, a exemplo da implementação da taxação de transações financeiras; b) proteção social como modo de diminuir a vulnerabilidade das comunidades e de seus trabalhadores e trabalhadoras; e c) a criação de empregos verdes e decentes.

Incluiremos nessas lutas, as ações pela implementação do Plano Nacional de Educação, garantindo a destinação de 50% dos recursos do pré-sal para a educação, abarcando inclusive a educação ambiental.

No que se refere ao tema da economia verde – que terá bastante destaque nos debates da Conferência – é fundamental que antes de iniciarmos qualquer discussão definidora, façamos um real e sincero balanço do que ocorreu desde a Rio92. Colocar sobre a mesa outra proposta sem avaliar o que foi anteriormente proposto significaria ignorar os compromissos anteriores não cumpridos.

Nos documentos-base divulgados pelas Nações Unidas para subsidiar a discussão para a Conferência Rio + 20, conhecido por rascunho zero, o termo Economia Verde aparece diversas vezes, sem, todavia, ter em concreto o seu conceito, suas formas de implementação e de financiamento. Trata-se de um “conceito vazio” que pode ser interpretado de diferentes formas pelos distintos países e atores (movimentos sociais, entidades de classes, empresas etc.), que abre espaço para o livre comércio, para a financeirização do clima e mercantilização dos bens comuns.

É com a formulação definida no Seminário Internacional realizado pela CUT em conjunto com a CSA, em novembro de 2011, que influenciaremos esse debate: “Questionamos, por ser insuficiente, a ideia de propor, 20 anos depois da Eco 92, que este debate se realize em torno da ideia de “economia verde”. Chamamos pela recuperação da noção de desenvolvimento lançada na Eco 92 agregando a ela explicitamente a denominação de “ambiental e socialmente” sustentável, pois assim a demanda da inclusão social com redução dos riscos ambientais e da escassez ecológica se transformarão nas prioridades claras para a estratégia de avanço social de nossos países”.

Nossa proposta é, articulando o movimento sindical internacional, em especial, da América Latina, e os movimentos sociais, combater a ideia de uma economia verde que mercantiliza a natureza, produzindo saídas à crise ambiental pela via do mercado e garantir uma estratégia de longo prazo capaz de oferecer novas respostas aos desafios econômicos, sociais, ambientais, energéticos e políticos do mundo moderno, por meio de acordos que possibilitem ações para um novo padrão de produção e consumo sustentáveis.

Tal direcionamento político deve ser acompanhado por uma forte pressão para a manutenção e criação de novos postos de “trabalhos verdes”. Esta iniciativa, sob nossa visão, configura-se como uma importante estratégia para estruturar toda a política de Desenvolvimento Sustentável e Transição Justa. Contudo, diferentemente de outras “versões rebaixadas”, não existe emprego verde sem que estejam garantidos todos os aspectos do conceito de trabalho decente.

De acordo com a OIT o conceito de empregos verdes são os “postos de trabalho decente em atividades econômicas que contribuem significativamente par reduzir emissões de carbono ou para melhorar/conservar a qualidade ambiental.” Desta maneira, os empregos verdes podem ser uma alternativa para combater a crise econômica, aliada com a redução de emissão de carbono. Portanto, devem estar integrados a fatores econômicos, ambientais e sociais, para que se possa atingir a sustentabilidade.

Os postos de emprego verde precisam ser postos de trabalho decente, com componente associados a benefícios que conciliem proteção ao meio ambiente, justiça distributiva e auxiliem na construção de uma economia de baixo carbono.

O estudo da OIT “Empregos Verdes no Brasil: quantos são, onde estão e como evoluirão nos próximos anos” de 2009, identifica em nosso país a existência de 2.653.059 empregos verdes, que representam 6,73% do total de empregos formais existentes.

Estão assim distribuídos:

- Produção e manejo florestal: 139.768

- Geração e distribuição de energias renováveis: 547.569

- Saneamento, gestão de resíduos e de riscos ambientais: 303.210

- Manutenção, reparação e recuperação de produtos e materiais: 435.737

- Transportes coletivos e alternativos ao rodoviário e aeroviário: 797.249

- Telecomunicações e tele atendimento: 429.526

Sabemos que a juventude, seja no Brasil, nas Américas, ou ao redor do mundo, têm duas características fundamentais de inserção no mercado de trabalho: a condição de desemprego e a precarização (informalidade, empregos não decentes, alta rotatividade).

Análises da OIT sobre o desemprego juvenil nos países da América Latina demonstram que, embora necessário, o crescimento econômico não resolve por si o problema do desemprego entre os/as jovens. Da mesma maneira, a criação de “empregos verdes” somente poderá trazer aspectos positivos para a juventude trabalhadora se de fato tiverem condições de trabalho decente.

Conforme já mencionado, grande parte dos chamados empregos verdes estão sob a forma de empregos de telecomunicações e tele atendimento. Muitos destes postos de trabalho, senão a quase totalidade destes, têm jornadas de trabalho elevadíssimas, baixos salários, alta rotatividade, fortes impactos negativos na saúde dos trabalhadores, e, empregam muitos jovens. Não é este tipo de geração de emprego que nós da Juventude da CUT Brasil defendemos.

Defendemos a necessidade da mudança do padrão de desenvolvimento atual para um desenvolvimento no qual a sustentabilidade humana e ambiental estejam asseguradas. O desenvolvimento sustentável somente será possível se garantir trabalho decente para a juventude.

No Brasil, construímos uma experiência inédita da Agenda Nacional de Trabalho decente para a juventude. Um passo importante para formular propostas e ações de políticas públicas para jovens e para inserção desse segmento nas negociações coletivas dos sindicatos.

Defendemos a criação de empregos verdes para a juventude incluída em uma estratégia de promoção de trabalho decente para a juventude, que considere a heterogeneidade e as desigualdades que marcam a juventude, especialmente por conta das dimensões de gênero, sexo, raça, classe social e que considere os e as jovens como sujeitos de direitos.

15 de maio de 2012

Jovens trabalhadores sofrem com assédio moral e dupla jornada, mostram pesquisas

Enfrentar o cotidiano de trabalho e estudos e sofrer assédio moral são problemas que afetam os trabalhadores desde a juventude, indicam duas pesquisas realizadas por alunas de mestrado da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP). Em um dos estudos, a psicóloga Samantha Lemos Turte procurou identificar se trabalhadores jovens sabem reconhecer violência psicológica no cotidiano de trabalho. No decorrer das entrevistas com 40 adolescentes com idade inferior a 18 anos, residentes na zona sul da capital paulista, a especialista detectou situações que podem ser entendidas como violência psicológica. A pesquisa foi feita em 2009 e 2010.

Entre os abusos relatados pelos adolescentes estavam desde constrangimentos provocados por outros funcionários da empresa até a atuação em funções para as quais não foram contratados. Também chamou atenção a banalização das más condições de trabalho a que jovens e adultos estão submetidos. Segundo ela, é comum ouvir que trabalhar é ruim e difícil. Essa mentalidade faz perder a noção de que a promoção da saúde mental deve ser estendida ao ambiente profissional. “Naturalizamos problemas do trabalho e irradiamos na nossa vida pessoal”, afirmou a pesquisadora.

Inicialmente os jovens não sabiam reconhecer se haviam sido vítimas de violência psicológica. Mas, ao serem informados da definição do termo, compararam a situação ao bullying, prática de agressão comum entre crianças na idade escolar. Jovens com noção sobre o que é assédio moral demonstraram ter mais segurança em defender-se da prática e reclamar por seus direitos.

Peso duplo
 
A influência da dupla jornada na vida dos jovens trabalhadores foi tema da pesquisa da psicóloga Andréa Aparecida da Luz, também da FSP/USP. A pesquisadora entrevistou 40 adolescentes entre 14 e 20 anos, da zona sul da capital paulista, inscritos em uma ONG que prepara jovens para atuar em empresas parceiras.

O estudo realizado entre 2008 e 2010 identificou alterações na vida e na saúde de adolescentes aprendizes, como perda ou ganho excessivo de peso, sonolência e, principalmente, diminuição da capacidade de manter a atenção e queda no desempenho escolar. Todos os jovens trabalhavam há pelo menos seis meses, no turno diurno, e eram expostos a uma jornada de trabalho de 40 horas semanais, além da dedicação aos estudos no período noturno.

Durante as entrevistas, Andrea ouviu relatos de abusos no trabalho, como cumprir as mesmas metas e cotas de funcionários com capacitação técnica, ou substituir cargos de chefia na ausência de supervisores. Dos 40 jovens que participaram da pesquisa, apenas um descreveu ter recebido treinamento específico para a função que exercia.

Apesar das dificuldades, a maior parte dos adolescentes não pensava em deixar o emprego, principalmente por desejarem custear um curso universitário. Alguns adolescentes eram responsáveis por 65% da renda familiar. Ela também percebeu motivações dos jovens trabalhadores relacionadas ao ganho de status e poder de consumo. Mas questiona: “a que preço?”.

26 de abril de 2012

Juventude CUTista debate imposto sindical em encontro

O plebiscito sobre o fim do imposto sindical é um dos temas do encontro da Juventude CUTista, que acontece em São Paulo

Divulgação
Secretário de Juventude da CNM/CUT, Leandro Soares, que participa do encontro

A Juventude da CNM/CUT esteve presente na reunião do Coletivo Nacional de Juventude da CUT, que começou na segunda-feira (23) e seguiu até a quarta (25). A reunião do coletivo aconteceu em São Paulo, no Hotel Braston, Centro.

A Juventude Cutista está debatendo questões que envolvem não apenas a categoria de trabalhadores, mas a sociedade em geral. A aprovação do Estatuto da Juventude, ainda neste ano, é uma das metas do Coletivo. Ala conservadora no Senado quer inviabilizar votação, mas movimentos prometem intensificar agenda de mobilizações.

O secretário de Juventude da CNM/CUT, Leandro Soares, que participa do encontro, disse que é fundamental a firme atuação da juventude nas políticas públicas. “Estamos reinteirando o papel do Estado nas políticas de juventude, para que amplie a proteção social à imensa massa juvenil, e que esses jovens possam concluir sua formação acadêmica ou técnico científico antes de entrar no mercado de trabalho. É preciso medidas de proteção para evitar a exploração do trabalho juvenil,” informou o dirigente.

Juventude na luta pelos direitos

Após uma série de conquistas e avanços implementados no último período, onde as demandas dos/as jovens foram colocadas na agenda prioritária, a juventude brasileira possui um grande desafio neste primeiro mandato do governo Dilma: manter as conquistas e seguir avançando na consolidação de novos direitos.

Uma das batalhas que está sendo travada dentro do Congresso Nacional é pela aprovação do Estatuto da Juventude ainda neste ano. Apesar de elaborado em 2003, o Estatuto só ganhou corpo um ano depois com a realização da I Conferência Nacional da Juventude, onde o documento final com as diretrizes elaboradas pelos delegados subsidiou a construção da atual proposta.

Aprovado pela Câmara Federal e pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, o Estatuto precisa passar ainda por três comissões para depois ir à votação no Plenário. Porém há um movimento articulado pela ala mais conservadora com o intuito de inviabilizar a sua votação neste ano, engavetando-o em alguma Comissão do Senado. “Querem jogar o Estatuto para Comissões que nada tem haver como o tema, como a do Meio Ambiente e Defesa do Consumidor, com o claro propósito de emperrar a votação”, alerta Jefferson Lima, secretário de Juventude do PT.

“A PEC da Juventude, com a inserção dos jovens na Constituição Federal, foi uma vitória significativa, mas aprovação do Estatuto é essencial para a consolidação dos direitos e políticas públicas que ampliarão os marcos legais da juventude brasileira. Infelizmente, a correlação de forças no Senado nos desfavorece, mas estamos certos que com a união e o diálogo entre os diversos movimentos, seja pressionando cada deputado em seu Estado, seja mobilizando suas bases ou articulando debates nas redes sociais, será um diferencial para rompermos com o discurso retrógado e conservador dentro do Senado Federal”, complementa.

O Estatuto considera jovem aqueles com idade entre 15 e 29 anos. Há no Projeto algumas propostas polêmicas. O texto garante, por exemplo, o benefício de meia entrada (40% dos ingressos em eventos particulares e 50% em eventos públicos ou com financiamento público) apenas aos jovens estudantes com a carteirinha da UNE (União Nacional dos Estudantes) ou da Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) ou para aqueles que recebem o benefício do Bolsa Família.

A juventude da CUT, do PT e de outros segmentos entende que é um retrocesso limitar o direito a meia entrada apenas aos jovens estudantes ou com direito ao Bolsa Família. “Este é um direito que deve ser garantido a todos e todas, contemplando a diversidade, sem distinção. Se o Estatuto for aprovado com esta redação vamos entrar para história: seremos aqueles que retiraram direitos”, lamenta Jefferson.

A aprovação do Estatuto ainda neste ano será um dos eixos prioritários na nova gestão do Conselho Nacional de Juventude (Conjuve) cuja eleição ocorreu no último dia 12 de abril. A CUT foi a única central eleita com cadeira cheia (titularidade e suplência), sendo que as outras centrais terão que fazer um processo de revezamento. Além disso, nossa Central conseguiu eleger entidades que compõem o Coletivo Nacional de Juventude: CNTE, Contag e Fetraf.

“A eleição demonstrou o acerto da juventude da CUT que saiu ainda mais fortalecida, consolidando-se como referencia política para a juventude brasileira. Agora, devemos pressionar o governo a implementar as resoluções da 2ª Conferência Nacional de Juventude avançando em direitos para toda juventude, em especial, na implementação da Agenda Nacional de Trabalho Decente”, declara Rosana Sousa, secretária Nacional de Juventude da CUT.

A implementação da Agenda Nacional também compõem um dos marcos legais garantidos no Estatuto. Outro ponto importante para o próximo período será a realização da I Conferência Nacional do Trabalho Decente marcada para os dias 08 a 11 de agosto de 2012. Segundo informações da Fundacentro, os grupos mais vulneráveis aos acidentes de trabalho – e que sofre grande impacto social – são as crianças, os adolescentes e os empregados terceirizados. Portanto, discutir trabalho decente e educação para os/as jovens é mais do que necessário e urgente.

Rio+20
A Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) acontecerá entre os dias 15 e 22 de junho deste ano, no Rio de Janeiro, e debaterá entre outros temas: a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza e a estrutura a governança institucional para o desenvolvimento sustentável.

Paralela à Conferência ocorrerá a Cúpula dos Povos organizada por movimentos e organizações nacionais e internacionais entre os dias 14 e 23 de junho. Para a juventude da CUT esta é uma oportunidade de apresentar e fortalecer as questões do mundo do trabalho e para articulação de uma Agenda de Juventude e Desenvolvimento Sustentável com o ajuste de políticas de promoção da emancipação da juventude e a busca por nova governança pela sustentabilidade.

Não serão apenas estas duas atividades que irão compor o processo da Conferência. Outras atividades deverão ser realizadas e contarão com a mobilização da juventude CUTista: Assembleia Sindical organizada pela CSI, Encontro da Juventude e Educação para a Sustentabilidade (atividade em conjunto com o MEC e SNJ), Arena Social (Espaço Conjuve e SNJ), Cupula dos Povos e a própria Rio+20.

Além destas prioridades haverá uma série de outros espaços e processos como Congresso Mundial da Juventude, Conferência Youth Blast, Diálogos Sociais e Agenda do Ministério do Meio Ambiente.

Agenda nacional implantada pelo governo

Representando a Secretaria Nacional de Juventude, com a companheira Severine Macedo atualmente à frente da pasta, Divaneide Basílio falou sobre as ações da Secretaria para o próximo período e como a juventude da CUT pode se apoderar das ações.

Divaneide afirmou que o governo Dilma pretende manter a agenda de criação de políticas públicas voltadas aos/as jovens. Prova disso é que no Plano Plurianual de 2012 a 2015 sancionado neste ano há um programa específico para a juventude.

Com um planejamento, o Plano definirá metas e diretrizes no período estabelecido. Entre as ações previstas destaca-se o Programa de Autonomia e Emancipação da Juventude, onde se definirá diversas iniciativas visando o acesso dos jovens às políticas públicas.

A representante da SNJ destacou que outras iniciativas também estão previstas no Programa como o enfrentamento da mortalidade da juventude negra, apoio aos gestores estaduais e a construção das Estações Juventude (locais de acesso e articulação das políticas juvenis nos territórios).

17 de abril de 2012

Eleição do Conjuve confirma acerto da unidade entre a CUT e os movimentos sociais

Por Rosana Sousa de Deus, secretária nacional de Juventude da CUT

Dia 12 de abril ocorreu a eleição da sociedade civil para composição do Conselho Nacional de Juventude (Conjuve). A CUT, através de sua Secretaria Nacional de Juventude, confirmou mais uma vez o acerto da opção estratégica da Central em construir a unidade com os movimentos sociais de juventude.

A atuação da Juventude da CUT nos Festivais Latino-Americanos das Juventudes e na 2ª Conferência Nacional de Juventude (ocorridos no ano passado) consolidou a ação unitária dos principais movimentos juvenis do país. A CUT protagonizou a construção de um campo de movimentos.

Aprovamos, na 2ª Conferência, todas as propostas apresentadas por nós. Da aliança entre a juventude trabalhadora e os demais movimentos, surgiu a defesa da democratização da eleição do Conjuve, Propomos um método eleitoral que combatesse a fragmentação dos movimentos e que fortalecesse a participação de organizações nacionais, enraizadas politicamente nas diversas regiões do país. O método aprovado permitiu a construção de alianças políticas, conformando um campo de movimentos que possuem grande afinidade sobre o desenvolvimento do país e o papel da juventude – vide a resolução da Conferência (disponível em www.juventude.gov.br).

O contexto atual é de grande afinidade com quem coordenou todos esses processos. À frente da Secretaria Nacional de Juventude do Governo Federal, está a companheira Severine Macedo, que foi membro do Coletivo Nacional de Juventude da CUT. Na presidência do Conjuve, está o companheiro Gabriel Medina, do Fórum Nacional de Movimentos e Organizações Juvenis, rede que conta com a participação da CUT, São aliados fundamentais para o sucesso de uma política nacional de juventude construída com grande participação.

A nova composição do conselho é, portanto, consequência vitoriosa do campo que a CUT empenhou-se em construir na 2ª Conferência Nacional de Juventude. Prova disso é que a composição eleita do Conjuve é composta pelos movimentos que historicamente constroem política de juventude mas é muito mais representativo, particularmente, da diversidade da juventude brasileira: trabalhadores/as do campo, quilombolas, indígenas, militantes de pastorais e de religiões de matriz africana, e uma maior diversidade de redes e entidades de apoio.

A CUT saiu ainda mais fortalecida desta eleição. Somos a única Central Sindical com cadeira cheia (titularidade e suplência), além de elegermos entidades que compõem o Coletivo Nacional de Juventude da CUT: CNTE, CONTAG e FETRAF. Somada à vitória efetiva destas, o número expressivo de entidades CUTistas habilitadas ao conselho (CNTE, CONTAC e CONFETAM), demonstra o acerto da política da nossa Central em incentivar e fortalecer a organização de juventude nos ramos.

O novo Conjuve terá maior capacidade política de pressionar o governo a implementar as resoluções da 2ª Conferência Nacional de Juventude, pois é formado por aquelas organizações que, com elevado grau de unidade, elaboraram e garantiram a aprovação destas. Isso será fundamental para avançar em direitos para toda juventude, e em especial para implementação da Agenda Nacional de Trabalho Decente para Juventude.

O Conjuve consolida-se como importante espaço de participação democrática da juventude brasileira. A responsabilidade da sua nova composição é ir adiante do que foi construído até agora. Continuar e avançar na unidade dos movimentos juvenis é uma tarefa que deve orientar a luta por um Brasil com desenvolvimento sustentável, participação popular, distribuição de renda e valorização do trabalho.

Com a certeza de que, quando a política é acertada, o resultado é muito positivo, convocamos toda a juventude trabalhadora a este grande desafio!

3 de abril de 2012

CNM/CUT presente na cerimônia de instalação dos Conselhos de Competitividade Setoriais do PBM

A CNM/CUT participará de cinco Conselhos de Competitividade Setoriais, que são: Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC)/Complexo Eletroeletrônico; Defesa, Aeronáutico e Espacial; Automobilístico; Bens de Capital e Metalurgia.

Saiba mais sobre as novas medidas do Plano Brasil Maior no Portal da CNM/CUT, clicando aqui.

30 de março de 2012

Desafios da CUT com a Juventude

Os desafios da CUT com a Juventude são muitos e vão além da relação com os jovens filiados. Em primeiro lugar, se faz necessário o entendimento da importância da temática juventude, inserindo o debate dentro da Central e replicando as discussões em todos os locais onde a CUT atua. A CUT deve ter propostas para os jovens trabalhadores, sindicalizados ou não. Deve ter um diálogo mais aproximado com as juventudes partidárias. Deve absorver a temática por conta da quantidade de jovens que o país tem hoje e o impacto que esta atitude representa. Deve mais uma vez ser pioneira nas discussões trabalhistas e ter propostas para estes jovens que representam o futuro do país e que o Brasil depende deles para continuar se desenvolvendo e crescendo.

Ao longo dos anos que se passaram desde a criação da CUT, muitos debates aconteceram na juventude e nós fomos nos organizando e nos formando, conseguindo assim montar com muito custo o Coletivo Nacional de Jovens. Esta nossa inserção aconteceu em um período muito rico de debates. Mas quando olho para trás para fazer um balanço deste período, não consigo vislumbrar grandes resultados nem tantos avanços como gostaria e como acredito que poderíamos ter feito. O pouco que restou deste período em que a temática foi inserida nas discussões, se limita ao Coletivo e as Secretarias de Juventude nos estados e na nacional. Penso que isso é pouco para o tamanho da sede destes personagens que fizeram parte do início desta empreitada, quando ainda estávamos em formação. Faltam talvez políticas e ações mais objetivas, direcionadas para este contingente enorme de jovens trabalhadores que carecem de um olhar mais cuidadoso da Central. Falta ainda que os idealizadores e fundadores da CUT possam ceder a vez e dar acesso aos espaços de direção aos jovens que se formam em todo o país. Eu penso que deveria ser feita uma grande campanha de formação por este Brasil, onde nós, assim que passássemos por esta formação, pudéssemos ocupar espaços de direção de fato, oxigenando e renovando a CUT. A história da CUT é de uma riqueza muito grande, mas quando vamos para a prática, ficamos decepcionados com a prática de muitos dirigentes antigos. Vemos que todo nosso trabalho e dedicação não valem nada, a não ser ajudar a manter os mesmos indivíduos nos seus espaços de poder.

Mais uma vez estamos chegando no período de mudança da direção da entidade. Continuo pensando que a disputa que se deu dentro da Articulação foi muito pequena. Entendo que SP foi o berço da CUT, mas talvez fosse importante para a Central ter pela primeira vez um Presidente que vivesse a realidade da relação com o trabalhador em outro estado do país. Somos muitos países em um só. É preciso replicar isso dentro da CUT e para fora dela. Já havia me manifestado a este respeito, mas mesmo desapontado com os rumos dados e as definições feitas, ainda acredito que é nosso papel sonhar. Sonhar com melhorias na entidade, sonhar com um programa onde devemos resgatar alguns valores perdidos ao longo do tempo e principalmente, sonhar com prioridade. Prioridade, no meu entender é poder ter autonomia para escolher nossos representantes nos estados e na nacional, estando dentro do programa de gestão, com mais espaços em outras pastas, com percentual financeiro para planejamento, formação e execução das ações.

Meus companheiros, temos um grande desafio pela frente. Mudar o mundo sindical que conhecemos, mudar o pensamento retrógrado dos nossos dirigentes e fazer de uma vez por todas que eles saibam que estamos reivindicando nosso espaço, que somos capacitados e estamos preparados para dirigir a entidade. Diante disso tudo, sugiro que façamos um grande encontro da JUVART aqui em Brasília, para juntos pensarmos em uma única linha para adotar em nossas intervenções, pensarmos de que maneira vamos poder propor ações que realmente façam a diferença na vida dos jovens trabalhadores, de que maneira poderemos renovar a CUT para que ela tenha uma maior abrangência e representação.

Saudações CUTistas,

Pedro Henrichs

26 de março de 2012

Jovens protestam contra militares envolvidos em tortura durante a ditadura

Manifestantes em diferentes estados pedem também a rápida instauração da Comissão da Verdade    
Jovens reuniram-se hoje (26) em Belo Horizonte, São Paulo e Porto Alegre para protestar contra torturadores que participaram de ações de repressão durante a ditadura no Brasil (1964-1985). Organizado pelo Levante Popular da Juventude, o intuito é expor publicamente participantes diretos da violência repressiva, com atos próximos aos locais onde vivem os acusados.

Para Lira Alli, estudante paulista, o importante do ato, conhecido como "escracho" e realizado originalmente na Argentina, é levantar questões do passado que não são discutidas e abordadas em sala de aula. "A gente já vinha há algum tempo pensando em realizar ações deste tipo, inspirados, especialmente, no que a juventude de outros países da América Latina já vem fazendo", explicou Alli.

Em São Paulo, com a participação de 200 estudantes, o alvo dos protestos foi o delegado aposentado do antigo Departamento de Ordem Política e Social (Dops), David dos Santos Araujo, que hoje tem uma empresa de segurança privada. "Capitão Lisboa", como era conhecido à época, é acusado, por uma ação civil pública do Ministério Público Federal, de envolvimento na tortura e morte de Joaquim Alencar de Seixas.

O resgate histórico dos períodos de repressão durante a ditadura militar foi relacionado este ano pelos estudantes para que os atos de protesto suscitem a importância da criação da Comissão da Verdade. O colegiado, aprovado e sancionado no ano passado, ficará a cargo de investigar, com acesso livre a documentos, casos de violação aos direitos humanos durante o período de 1946 a 1988.  Para sair do papel, a comissão precisa agora que seus integrantes sejam escolhidos pela presidenta Dilma Rousseff.

"Foi justamente por conta do processo que está se formando em torno da Comissão da Verdade que a gente decidiu fazer esse ato. Primeiro por conta de crimes pelos quais alguns militares são acusados e processados e que não são de conhecimento da população. Também queremos fazer com que a sociedade se posicione a esse respeito, por ser uma passagem sombria da nossa história e que precisa ser resgatado", ressaltou a estudante.

23 de março de 2012

Cenário para negociações sindicais ficou mais favorável a partir de 2004

Para o Dieese, campanhas entre meados dos anos 1990 e início dos anos 2000 foram prejudicadas pelo baixo crescimento econômico
Para o Dieese, as campanhas salariais realizadas nos 16 últimos anos têm dois momentos distintos: uma conjuntura desfavorável até 2003, período marcado, na média, por baixo crescimento econômico e desemprego elevado, fatores negativos para a negociação. “De 2004 em diante, há uma reversão da tendência”, disse o coordenador de Relações Sindicais do instituto, José Silvestre Prado de Oliveira. Especificamente nos quatro últimos anos, quando o Dieese consolidou em 702 negociações o universo pesquisado, 91,3% dos acordos foram assinados com reajuste acima da variação do INPC. Na média, os aumentos reais atingiram 5,01%. O maior aumento médio foi do setor industrial (5,66%) e o menor, nos serviços (3,82%). O comércio atingiu 5,47%.

O Dieese lembra que nos últimos quatro anos o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 15,8% e o PIB per capita, 11,4%. Poucas negociações nesse período resultaram em ganhos equivalentes. “Em relação à variação do PIB no período, cerca de 3% das negociações analisadas tiveram aumentos reais iguais ou acima de 15,8%. Em relação ao PIB per capita, 9%.”

O secretário-geral da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de São Paulo (Fequimfar, ligada à Força Sindical), Edson Bicalho, vê um cenário mais favorável para as campanhas salariais em 2012. “Houve no ano passado mais dificuldade por causa da inflação maior. Algumas categorias têm trabalhado na recuperação dos pisos salariais, impulsionados pelo aumento do salário mínimo”, lembrou. Segundo Silvestre, do Dieese, a inflação média em 12 meses ficou em 6,5% e 7% em 2011, ante 4,5% a 5% no ano anterior.

Já o secretário-geral da CUT de São Paulo, Rogério Giannini, considerou preocupante o resultado das campanhas no setor de serviços – pelo aumento da participação no PIB e em número de trabalhadores –, com quase um quarto dos acordos sem aumento real. Ele considera positivas algumas das medidas adotadas pelo governo para estimular a economia, mas disse esperar uma política mais incisiva em relação a câmbio e juros. “Entre o rentismo e a produção, queremos que o governo dê preferência à produção”, acrescentou o secretário-geral da CTB, Pascoal Carneiro.

O coordenador do Dieese avaliou que o resultado das negociações dos últimos anos sinaliza um novo momento. “Hoje você não discute a inflação. Você discute o patamar de ganho real”, disse. “Não tem nada no cenário que indique um recuo do ponto de vista dos ganhos reais”, acrescentou, referindo-se às campanhas deste ano.

A secretária de Estudos Socioeconômicos do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Ana Tércia Sanches, acredita que o discurso da crise internacional estará presente nas mesas de negociação ao longo do ano, como argumento dos empresários para dificultar a concessão de reajustes. O que está em jogo, observou, é o desenvolvimento econômico e social do país.

Fonte: Rede Brasil Atual

22 de março de 2012

Juventude metalúrgica soma mais de 300 mil trabalhadores na base da CNM/CUT

 Por Leandro Soares

A Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT sempre teve ações voltadas para o coletivo de juventude. Antes da criação da secretaria de Juventude, em 2011, durante o 8º Congresso da CNM/CUT, era a secretaria de Políticas Sociais a responsável pelas atividades do grupo. Foi pelo aumento da demanda que surgiu a necessidade de criar uma secretaria, que se dedicasse exclusivamente às atividades da juventude metalúrgica.

Um dos grandes objetivos desse sistema organizacional é proporcionar aos jovens metalúrgicos ferramentas e meios para ampliar a geração de ideias e posicionamentos em relação às questões trabalhistas e, assim, atuarem como fomentadores de políticas públicas para setor metalúrgico e para o país.

Segundo dados do Dieese – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, subsede na CNM/CUT, os jovens metalúrgicos na base da CNM são em torno de 300 mil (até 29 anos). E são inúmeras as formas com que os jovens trabalhadores podem contribuir para as conquistas da categoria. As ações que envolvem os jovens metalúrgicos passam por temas como trabalho decente, saúde, OLT – organização no local de trabalho e qualidade de vida.

A atuação da secretaria de Juventude é no sentido de criar esses mecanismos de orientação nos coletivos dos sindicatos e federações. Toda essa discussão está dentro das fábricas. Através das atividades que a secretaria promove, como encontros, campeonatos de futsal (futebol de salão), encontros de rock e eventos culturais que resgatam a história do movimento sindical, aproximam ainda mais esses jovens trabalhadores. São atividades de interesse em comum e esse fator aumenta a afinidade entre o grupo.

Jovens metalúrgicos e a OLT
A experiência da secretaria de Juventude com as atividades em grupo revela que existe nesses jovens uma imensa necessidade de participação social. Muitas vezes esse sentimento fica sufocado pela simples falta de meios para poder se expressar. Motivados pelos encontros e pela devida valorização de suas necessidades, esses jovens dinamizam suas participações nas Cipas, ampliam as ações da OLT- Organização no Local de Trabalho no chão de fábrica e fortalecem as discussões do movimento nos sindicatos. Muitos se tornam militantes, pois obtém preparo inclusive para serem dirigentes sindicais.

Temos alguns exemplos dessas organizações em Sorocaba-SP e no ABC-SP, como as políticas voltadas para os jovens tem dado certo. A secretaria de Juventude da CNM/CUT já frutificou suas ações nos sindicatos, quando percebe o aumento do número de jovens metalúrgicos sindicalizados e a constatação da participação ativa do grupo no dia a dia dos sindicatos.

Em relação às políticas públicas, temos em nossa central de trabalhadores, CUT – Central Única de Trabalhadores, feito um grande trabalho de aproximação dos movimentos sociais. E tem apresentado resultados positivos. O tema juventude tem sido debatido amplamente e as propostas do grupo são apresentadas em congressos e encontros do movimento sindical.

A contribuição ativa dos jovens sindicalistas surge claramente com a criação da Secretaria Nacional da Juventude, no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2005. Esta foi uma das ações diretas da juventude metalúrgica, que pelas propostas apresentadas nas conferências, mostrou ao governo a necessidade de se criar um meio de ampliar a participação da juventude brasileira nos debates.

O Estatuto da Juventude, Pro Uni e Pro Jovem - que proporcionou, principalmente, aos jovens carentes condições de ingressar em uma faculdade e terem o direito a formação universitária, são outras conquistas do movimento da juventude. Assim como, os intercâmbios, que proporcionam a troca de experiência entre os países e que muito contribui no conhecimento cultural e na realidade vivida em cada país.

Leandro Soares é secretário de Juventude da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT