1 de outubro de 2012

Governo lança projeto de prevenção à violência contra a juventude negra

De acordo com o Ministério da Saúde, 53% dos homicídios registrados no país vitimam pessoas jovens. Destas, mais de 75% são negras

O governo federal lançou na quinta (27), em Maceió (AL), a primeira etapa de um programa piloto que visa enfrentar o crescente número de homicídios entre jovens negros de todo o país. Intitulado Juventude Viva, a iniciativa é a primeira etapa de uma ação mais ampla, o Plano de Prevenção à Violência Contra a Juventude Negra.

Segundo dados do Ministério da Saúde, 53% dos homicídios registrados no país vitimam pessoas jovens. Destas, mais de 75% são negras. Além disso, enquanto as mortes de jovens brancos caíram de 9.248, em 2000, para 7.065, em 2010, a morte de jovens negros cresceu de 14.055 para 19.255 no mesmo período. 

Em Alagoas, o programa irá complementar iniciativas que já estão em curso, como o Programa Brasil Mais Seguro, do Ministério da Justiça. A escolha do estado também se justifica porque a capital, Maceió, ocupa o segundo lugar entre as cidades com o maior número de homicídios no país. Nesta primeira etapa, além de Maceió, o Juventudo Viva também será testado em outras três cidades alagoanas: Arapiraca, Marechal Deodoro e União dos Palmares. A meta do governo federal é, a partir da experiência inicial, estender a iniciativa para os 132 municípios mais violentos do país.

"O Juventude Viva representa um plano de enfrentamento à mortalidade da juventude negra. Vai começar como uma experiência em Alagoas, com os vários ministérios envolvidos desenvolvendo um conjunto de ações de inclusão e contra a cultura de violência", explicou a ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Luiza Bairros, logo após participar, esta manhã, do programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República em parceria com a EBC Serviços. Também participou do programa o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República.

Entre as iniciativas a serem desenvolvidas, a ministra mencionou a adoção, pelas escolas estaduais, de aulas em período integral; a criação de espaços culturais em territórios violentos e o estímulo ao empreendedorismo juvenil, principalmente quando associado à chamada economia solidária. Além disso, segundo a ministra, o programa também prevê ações de capacitação dos profissionais que atuam com os jovens, especialmente dos policiais.

"Será extremamente importante o trabalho que faremos com as forças policiais para que possamos ter um comportamento diferenciado dos policiais em relação aos jovens, especialmente em relação ao jovem negro que, por conta da discriminação racial, acaba sendo mais atingido por essa violência", explicou a ministra.

O Juventude Viva, segundo a ministra, irá beneficiar não apenas jovens negros entre 15 e 29 anos, mas toda a população das regiões contempladas com iniciativas como a construção de espaços culturais.

"Pretendemos atingir os jovens negros, que, nos últimos anos, são os que mais têm sofrido com esses altos índices de homicídios, mas, embora o diagnóstico que conduza o programa leve em conta a população negra, seu caráter é amplo. A instalação de uma praça de cultura em um bairro de maioria negra faz toda a diferença para toda a população", acrescentou a ministra.

"Embora tenhamos experimentado, nos últimos anos, uma melhoria dos indicadores sociais da população negra, temos ainda milhões de jovens negros que estão fora da escola e do mercado de trabalho, sendo uma população vulnerável às possibilidades de se envolver em situações violentas e que tem a vida pouco valorizada, já que não está inserida em nenhum tipo de rede social mais forte."

Coordenado pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, da Presidência da República, o programa contará com a colaboração dos ministérios da Cultura, Educação, Saúde, Trabalho e Esportes.
 
Fonte: Agência Brasil

21 de agosto de 2012

1º Encontro de Hip Hop da Juventude Metalúrgica do ABC

Veja aqui como foi o evento que reuniu a juventude metalúrgica na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC no domingo (19).

Contracs realizou Encontro Nacional da Juventude

Evento reuniu jovens para debater estratégia e organização

Nos dias 16 e 17 de agosto, a Contracs – Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviços da CUT realizou o Encontro Nacional da Juventude, em Brasília. Ao todo, 42 jovens do ramo debateram sobre diversos temas que envolvem a organização e as estratégias da juventude trabalhadora.

Entre os participantes estavam entidades filiadas à Contracs da Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins. 

Debates

A primeira mesa abordou o Estatuto da Juventude com o representante da Secretaria Nacional de Juventude do Governo Federal, Bruno Elias, que abordou os avanços e esforços da secretaria para melhorar o texto do Projeto de Lei 4529/2004 – Estatuto da Juventude, que estabelece direitos para a juventude brasileira. Elias ainda destacou a interlocução governamental junto os movimentos juvenis.

Já o secretário de juventude da CUT-DF, Douglas de Almeida Cunha - que também participou da primeira mesa – destacou os avanços do estatuto e a necessidade do envolvimento do movimento sindical para sua aprovação. Desta forma, Cunha orientou que todos os participantes dialoguem com os deputados federais de seus estados na busca da aprovação do Estatuto da Juventude.

A mesa de Empregabilidade e Desemprego Juvenil contou com a participação de Roberto González, coordenador de Trabalho, Renda e Educação da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais do Instituto de Pesquisa e Economia Aplicada (IPEA), que apresentou os dados do desemprego na juventude.

González explicou que para a juventude, os postos de trabalho são, em sua maioria, precários, com baixos salários, extensas jornadas e, por isso, tem uma grande rotatividade.

Já na mesa de Raça e Juventude, Júlia Reis, Secretária Nacional de Combate ao Racismo da CUT iniciou sua fala afirmando que o comércio ainda esconde atrás dos anúncios de “boa aparência” a discriminação racial e a exclusão dos negros/as . Júlia, ainda destacou o fato de que os trabalhadores negros ainda ganham salários menores do que os trabalhadores não negros.

O debate sobre Estratégias Sindicais para a Juventude contou com o Secretário Estadual de Juventude no Distrito Federal, Douglas de Almeida Cunha. Para ele, o debate desta temática deve ser permanente nas entidades sindicais, onde deve se incluir as estratégias necessárias para a inclusão dos jovens. Cunha destacou que os jovens trabalhadores devem ocupar cargos importantes nas entidades sindicais para que as políticas diferenciadas para os jovens possam ser pensadas.

Cunha explicou que a abordagem com os jovens tem que ser diferenciada, pois o modelo atual não atinge os jovens. Para o secretário, as redes sociais são uma ferramenta a mais de luta, mas ressalta que elas não solucionam o distanciamento.

O Encontro também debateu a Formação da CUT para a Juventude, com a participação do companheiro Adriano Soares, assessor da Secretaria Nacional de Formação da CUT,  explicando que a demanda da juventude foi organizada em três eixos sendo: Organização, Comunicação e Formação. Na formação, a juventude incluída como prioridade, está inserida na política de Formação de formadores, nos módulos do ORSB (Organização e representação Sindical de Base), nos cursos DPPAR (Desenvolvimento, Políticas Públicas e Ação sindical) e ainda nos cursos sobre negociação e contratação coletiva. 

No debate sobre as Redes Sociais, Alex Capuano, assessor da Secretaria Nacional de Comunicação da CUT, apresentou dados importantes sobre os detentores da mídia no Brasil, e a importância do movimento sindical se utilizar das redes sociais para as mobilizações. Coloca que devemos se utilizar das Tecnologias da Informação para se conquistar “mentes e corações”. Citou vários exemplos possíveis, como games ativistas, o uso do Youtube para transmitir ao vivo atividades, Rádios Web e em especial criar redes sociais próprias.
Conclusão

Por fim, os participantes se reuniram para elaborar estratégias e ações para a Secretaria da Juventude da CONTRACS/CUT, no qual levantaram a necessidade da realização de mais encontros do ramo e ainda a potencializar a comunicação da secretaria.

Fonte: Contracs

Secretário da Juventude da CUT/MG é eleito para Secretaria Geral do Conselho Municipal de Saúde em BH

Ederson Alves da Silva reafirma a bandeira da Central de defesa do SUS de qualidade para toda a população

O secretário da Juventude da CUT/MG, Ederson Alves da Silva, foi eleito para ocupar a Secretaria-Geral do Conselho Municipal de Saúde de Belo Horizonte. Ele foi escolhido pelos conselheiros usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) na capital mineira.

De acordo com Ederson Alves, a eleição demonstra a confiança dos usuários do SUS de BH e é fruto do trabalho da CUT/MG dentro do conselho. A Central tem como uma de suas bandeiras a defesa de um Sistema Único de Saúde de qualidade para toda a população.

Fonte: CUT-MG

13 de agosto de 2012

Por políticas públicas, jovens ocupam às ruas de São Paulo no Dia Internacional da Juventude

Ato da CUT-SP e dos movimentos sociais levantou bandeiras de luta como trabalho decente e acesso à educação 

O secretário de Juventude da CNM/CUT, Leandro Soares, participou do ato


A juventude da CUT-SP e dos movimentos sociais percorreram as ruas do centro paulistano na tarde desta sexta-feira (10) ao som da percussão do grupo Batukai, levantando bandeiras e reivindicando principalmente trabalho decente e acesso à educação no estado de São Paulo, entre outros direitos dos trabalhadores e trabalhadoras jovens.

O Dia Internacional da Juventude é oficialmente no dia 12 de agosto, mas na avaliação dos vários dirigentes sindicais e representantes dos movimentos juvenis não há o que comemorar no estado de São Paulo diante do sucateamento da educação, do transporte público e das políticas públicas.

 “A grande prioridade para a juventude é um trabalho decente, que atenda às necessidades dos jovens para que ele se sinta sujeito de direitos, que faça parte da sociedade, e possa se autossustentar. O trabalho tem que permitir que o jovem continue seus estudos porque não é possível abrir mão da educação”, afirmou Luciana Chagas, secretária de Juventude da CUT-SP.

Os participantes ressaltaram que os/as jovens estão entre as principais vítimas do emprego precário, muitas vezes sem direitos trabalhistas e enfrentando longas jornadas, como é o caso dos empregados na rede de fast food McDonald’s.

A dificuldade de acesso à educação pública de qualidade é outro grave problema que afeta a juventude, sem contar o desafio de conciliar trabalho, estudos e vida familiar. A ausência de políticas públicas para os/as jovens no governo estadual é unânime entre as lideranças, além do alerta para o aumento da criminalidade juvenil.

Para a secretária de Juventude da CUT-SP, “o governo não tem feito sua parte, não tem interesse e não vê a juventude como o futuro, haja vista o número de jovens que estão entrando na criminalidade. Estes jovens nada mais são do que vítimas do sistema no qual vivemos”, afirmou. “Não basta só a polícia chegar, abordar da forma agressiva como vem fazendo e violentando essa juventude. É preciso que o governo estadual tenha o olhar de um projeto social, de políticas públicas para que estes jovens sejam resgatados do mundo do crime”, critica a dirigente.

Preconceito x identidade juvenil– O preconceito da sociedade é outra questão que afeta os/as jovens – o preconceito racial, sexual e da própria identidade visual da juventude.

Paloma dos Santos, do Sindilimpeza e coordenadora de Juventude da CUT na Subsede Baixada Santista, destaca que os jovens trabalhadores e trabalhadores precisam ser mais respeitados e que merecem mais oportunidades de emprego. “O jovem está preparado, mas não tem oportunidade de trabalho, principalmente os negros, os homossexuais e os jovens deficientes físicos. O jovem quer emprego e não pensa só em drogas, em baladas, em violência. Os jovens são trabalhadores, eles fazem política, estudam e só querem oportunidade de trabalhar”, aponta a dirigente cutista.

Segundo Vitor Hugo Gomes, da União Paulista dos Estudantes Secundaristas, “estudar e trabalhar já é um grande problema aqui no estado de São Paulo porque as famílias não tem renda suficiente para se sustentar e isso obriga a começar a trabalhar cada vez mais cedo. Eu uso brinco alargador e há preconceito contra isso, o que prejudica muito o jovem que quer trabalhar”, relata o estudante.

Juventude é responsável pela renovação da sociedade

Durante o ato do Dia Internacional da Juventude, o presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, deixou claro que a Central tem prioridade na renovação do movimento sindical cutista. Ele afirmou que é preciso facilitar a entrada do jovem militante nas estruturas sindicais “para arejar os debates, trazer formulações diferentes das que existem porque o papel da juventude é trazer novidade e renovação”

Sobre o papel na sociedade, Freitas avalia que o Brasil não tem condição e nem espaço para o desenvolvimento da juventude. “Não há espaço para as questões da educação, da cultura, do lazer, do esporte. Não há espaços onde a juventude possa exercer sua criatividade e transformar isso em organização social”.

Freitas também chamou atenção para os perigos do conservadorismo. Ele afirmou que “o estado brasileiro está envelhecido hoje, está ‘careta’. A sociedade está muito preconceituosa e tomando traços muito conservadores. Cada vez que se debate temas que não são os tradicionais, em geral, o que acontece é um repúdio muito grande pela sociedade”

Outra preocupação apontada pelo dirigente é o afastamento da política. Segundo o presidente da CUT, “é vendida para a juventude a ideia de que a atuação individual resolve os problemas. A não participação em partidos políticos, em sindicatos, é um problema muito grande para nós porque não conseguimos ver renovação nestas estruturas. Os partidos e sindicatos são estruturas coletivas,  não são individuais, e têm que ter a participação da juventude”, ressaltou Freitas.

Fonte: CUT-SP

17 de julho de 2012

Rock dos Metalúrgicos reúne público de 2 mil pessoas

Mais de 2 mil pessoas prestigiaram, no último domingo (15), no Parque dos Espanhóis, na Vila Assis, em Sorocaba, o 7º Encontro de Bandas "Rock dos Metalúrgicos", realizado pelo Coletivo Juventude do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região

O secretário de Juventude da CNM/CUT, Leandro Soares na abertura do Show
Foram quase dez horas de rock n´roll, das mais variadas vertentes, com apresentação de sete bandas, todas elas formadas por pelo menos um integrante metalúrgico. "Essa é a primeira vez que o encontro é realizado fora da sede do Sindicato. Um evento muito positivo, porque é o trabalhador metalúrgico mostrando a sua cara e sua cultura para a sociedade", avaliou Silvio Luiz Ferreira da Silva, o Silvinho, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e região.


Foguinho
Nem o frio espantou o público que curtiu um domingo de rock
Nem mesmo a baixa temperatura espantou o público. "Acho muito legal esse espaço dado às bandas de rock. Infelizmente são poucos os espaços hoje que as bandas têm para se apresentar", comentou o estudante Isaac Estevão de Melo, 17 anos, que conferiu os shows com um grupo de amigos.

Em família
O metalúrgico Régis Vieira curtiu a apresentação das bandas em família. Ao lado da esposa, do sobrinho de 14 anos e da filha, de apenas 4 anos, ele contou que prestigia o Encontro todos os anos. "Eu fui a todos os anos [anteriores] na sede do Sindicato. Este ano [no Parque dos Espanhóis] está ainda melhor. Tudo muito organizado e muito tranquilo", avaliou o metalúrgico.

Vocalista da banda mais aguardada da noite, a Guns n Roses Brazil, considerada pela crítica como a melhor banda cover do Guns n Roses da América Latina, Nel Loki contou à Folha Metalúrgica que a banda paulista, fundada há 12 anos, já se apresentou em outras ocasiões em Sorocaba, em espaços que não existem mais. "Ainda bem que esse encontro volta a dar espaço às bandas de rock. Esperamos tocar todos os anos aqui. Os realizadores estão de parabéns pela iniciativa", comentou o músico.

Leandro Soares, secretário de Juventude da CNM/CUT levou a esposa Angela e a filha Ingrid no show de rock dos Metalúrgicos.

Foguinho

Leandro com sua Esposa Angela, e sua filhinha no show


O secretário de Juventude da CNM/CUT, Leandro Soares disse que estava surpreso com a presença de tantas pessoas , apesar do frio intenso. " Esse show de rock vai esquentar essa turma de metalúrgicos e metalúrgicas," afirmou o dirigente.

19 de junho de 2012

CUT na Rio+20: desafio é dialogar com jovens que ainda não participam da discussão

Em debate sobre juventude e sustentabilidade, Rosana aponta necessidade de repensar as formas de mobilização
Na manhã da terça-feira (12), o Museu Botânico do Rio de Janeiro abrigou o primeiro de um ciclo de debates preparatórios para os próximos dias da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20).

Não por acaso, o primeiro encontro ocorreu justamente no dia da abertura da conferência e discutiu a relação entre juventude – maior grupo da sociedade civil presente no evento, com três mil pessoas – e sustentabilidade.

Representante da CUT, Rosana de Deus, deu início à sua intervenção afirmando que não é possível falar sobre sustentabilidade sem discutir a inserção dos jovens no mercado de trabalho. E defendeu que não há emprego verde sem trabalho decente.

Para exemplificar, ele cito o caso dos adolescentes que trabalham no corte da cana utilizada para produção do etanol. Ele lembrou que, apesar de se tratar de um combustível limpo, a situação degradante faz com que muitos precisem utilizar drogas para enfrentar o ritmo exaustivo.

Alcançar quem não conhece a luta

A dirigente comentou ainda um levantamento da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que afirma haver 2,6 milhões de empregos verdes no Brasil. Porém, lembra, apenas 6,7% são formalizados. “Sem formalização, portanto, sem direitos e proteção social não há emprego verde”, ressaltou.

Por fim, ela destacou que é preciso repensar a forma de se comunicar com os jovens, a partir de uma visão definida neste novo século e não desde velhas regras. “Primeiro, falta unidade nas pautas do movimento juvenil organizado porque há dificuldade em organizar aqueles que os problemas sociais não tem nada a ver com eles. Para mudar isso, precisamos também transformar a comunicação, a forma de dialogar não pode ser a mesma dos anos 1960. A opressão mudou, a pauta mudou. Devemos pensar, por exemplo, em como tratar a intervenção a partir das redes sociais e incluir no debate da Rio+20 quem não está aqui”, explicou.

Jovem é prioridade na Rio+20


Representante da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, a secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do ministério, Samira Crespo, citou que a juventude é considerada um ator fundamental no texto zero da Rio+20, ainda não concluído. O documento ainda trata da questão de empregos e há a tentativa de cravar o conceito de jovens em situação de vulnerabilidade, não só por conta das drogas, mas submetidos a guerras e guerrilhas. Iniciativa que tem o apoio do Brasil.

O consultor da Organização das Nações Unidas (ONU), João Scarpelini, lembrou dois pontos fundamentais que integram o documento da Conferência da Juventude, que acontece entre os dias 7 e 12: a criação de ouvidorias de futuras gerações, por meio da qual seria possível denunciar quando governo ou empresa viola direitos ambientais. E a definição de um fórum permanente de jovens na ONU, capaz de garantir a implementação de direitos, obstáculo dentro e fora do país.

“Sabemos que é preciso da voz aos jovens, mas agora também precisamos fazer valer o que elaboramos.”

Mesma preocupação tem o representante da Rede da Juventude pelo Meio Ambiente e Sustentabilidade (Rejuma), Thiago Moraes.

“Temos parceiros no Ministério do Meio Ambiente, mas talvez sejam parceiros porque entende a lacuna que existe sobre o tema no governo brasileiro.”

Efetivar o que já foi discutido

Às vésperas de mais uma Conferência Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente, ele acredita que, mais até do que levantar propostas, o momento é de colocar em prática. “A gente precisa também que essa participação se efetive.”

Ideia semelhante defende a coordenadora nacional da Pastoral da Juventude, Paula Grassi.

“Não basta tomada de consciência, é preciso também um processo de ações para que exista mudança.”

Da mesma forma que Thiago Moraes, ela também defendeu que a aplicação efetiva de um modelo de desenvolvimento sustentável passa pela transformação do modelo vigente. “Capitalismo e sustentabilidade são incompatíveis. Economia verde é capitalismo pintado, mas continua a visar lucros e tirar nossos direitos”, definiu.

Fonte: CUT

1 de junho de 2012

OIT: 20,9 milhões de pessoas no mundo são vítimas de trabalho forçado

Estudo da Organização Internacional do Trabalho mostra que cerca de três em cada mil pessoas em todo o mundo são vítimas dessa prática

Cerca de três em cada mil pessoas em todo o mundo são vítimas de trabalho forçado, segundo estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgado hoje (1º). O número total de pessoas presas em empregos que lhes foram impostos por meio de coação ou de engano chega a 20,9 milhões. Nessas situações também podem ser incluídos o tráfico de seres humanos ou práticas análogas à escravidão. O último relatório da organização sobre o assunto foi divulgado em 2005.

“O tráfico de seres humanos também pode ser considerado trabalho forçado e, assim, essa estimativa capta o tráfico de seres humanos para exploração laboral e sexual ou o que alguns chamam de escravidão moderna”, diz o estudo.

De acordo com o levantamento, mulheres e meninas representam 55% (11,4 milhões) do total de trabalhadores forçados, enquanto homens e meninos representam 9,5 milhões (45%). Além disso, os adultos são mais afetados do que as crianças, pois 74% (15,4 milhões) das vítimas são maiores de 18 anos e 26% (5,5 milhões) estão abaixo dessa faixa etária.

A região da Ásia e do Pacífico apresenta o número mais alto de trabalhadores forçados no mundo, 11,7 milhões (56%). A África vem em seguida, com 3,7 milhões (18%), e a América Latina, com 1,8 milhão de vítimas (9%). Nos países da Europa Central e do Leste Europeu são registrados 1,6 milhão (7%) de pessoas trabalhando de forma forçada. Nas economias desenvolvidas e na União Europeia há 1,5 milhão (7%) de trabalhadores forçados, enquanto no Oriente Médio, o número de vítimas é estimado em 600 mil (3%).

O estudo mostra ainda que 90% dos trabalhadores (18,7 milhões) são explorados na economia privada, por indivíduos ou empresas. Desses, 4,5 milhões (22%) são vítimas de exploração sexual forçada e 14,2 milhões (68%) são forçados em atividades econômicas como agricultura, construção civil, trabalho doméstico ou industrial.

Além disso, 2,2 milhões (10%) são vítimas de trabalho forçado imposto pelo Estado, como por exemplo, nas prisões, o que viola as normas da OIT, ou imposto por forças armadas rebeldes ou exércitos nacionais.

O documento também apresenta a relação entre migração e trabalho forçado. Há 9,1 milhões de vítimas (44%) que estão presas no trabalho forçado após um processo migratório, ou seja, o deslocamento dentro de seus países ou para o exterior. A maioria dessas pessoas, 11,8 milhões (56%), está submetida a trabalho forçado em seus países de origem ou residência.

Os deslocamentos entre fronteiras estão estreitamente vinculados à exploração para fins sexuais. Em contrapartida, a maioria dos trabalhadores forçados em atividades econômicas e quase todos os que são vítimas de trabalho forçado imposto pelo Estado não se afastaram de suas áreas de origem”, mostra o estudo.

Fonte: Agência Brasil

31 de maio de 2012

Empregos verdes e a luta da CUT por Trabalho Decente para a juventude

Por Rosana Sousa, secretária nacional de Juventude da CUT
 
A Central Única dos Trabalhadores (CUT Brasil) compreende que o desenvolvimento deve abarcar a sustentabilidade política, econômica, ambiental e social com o Estado assumindo papel de indução desse processo, segundo princípios democráticos, com garantia de direitos, especialmente a liberdade de organização e o emprego formal de qualidade.

O conceito de “desenvolvimento sustentável” representou importante conquista política da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento: a Rio92. Nessa ocasião, foi consolidado o entendimento de que o tratamento dado às questões ambientais não poderia avançar sem que, conjuntamente, fossem considerados os aspectos sociais e econômicos envolvidos na promoção da sustentabilidade.

A Rio+20 realizada em junho próximo, será o momento de avaliar a implementação das recomendações das Conferências anteriores e identificar questões novas, além de tratar de dois temas específicos “uma economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza” e o “quadro institucional para o desenvolvimento sustentável”. A Juventude da CUT irá combater a ideia de uma economia verde que mercantiliza a natureza, produzindo saídas à crise ambiental pela via do mercado.

Iremos intervir em três temas centrais, em conjunto com a CSA: a) taxações e fiscalização ambiental, a exemplo da implementação da taxação de transações financeiras; b) proteção social como modo de diminuir a vulnerabilidade das comunidades e de seus trabalhadores e trabalhadoras; e c) a criação de empregos verdes e decentes.

Incluiremos nessas lutas, as ações pela implementação do Plano Nacional de Educação, garantindo a destinação de 50% dos recursos do pré-sal para a educação, abarcando inclusive a educação ambiental.

No que se refere ao tema da economia verde – que terá bastante destaque nos debates da Conferência – é fundamental que antes de iniciarmos qualquer discussão definidora, façamos um real e sincero balanço do que ocorreu desde a Rio92. Colocar sobre a mesa outra proposta sem avaliar o que foi anteriormente proposto significaria ignorar os compromissos anteriores não cumpridos.

Nos documentos-base divulgados pelas Nações Unidas para subsidiar a discussão para a Conferência Rio + 20, conhecido por rascunho zero, o termo Economia Verde aparece diversas vezes, sem, todavia, ter em concreto o seu conceito, suas formas de implementação e de financiamento. Trata-se de um “conceito vazio” que pode ser interpretado de diferentes formas pelos distintos países e atores (movimentos sociais, entidades de classes, empresas etc.), que abre espaço para o livre comércio, para a financeirização do clima e mercantilização dos bens comuns.

É com a formulação definida no Seminário Internacional realizado pela CUT em conjunto com a CSA, em novembro de 2011, que influenciaremos esse debate: “Questionamos, por ser insuficiente, a ideia de propor, 20 anos depois da Eco 92, que este debate se realize em torno da ideia de “economia verde”. Chamamos pela recuperação da noção de desenvolvimento lançada na Eco 92 agregando a ela explicitamente a denominação de “ambiental e socialmente” sustentável, pois assim a demanda da inclusão social com redução dos riscos ambientais e da escassez ecológica se transformarão nas prioridades claras para a estratégia de avanço social de nossos países”.

Nossa proposta é, articulando o movimento sindical internacional, em especial, da América Latina, e os movimentos sociais, combater a ideia de uma economia verde que mercantiliza a natureza, produzindo saídas à crise ambiental pela via do mercado e garantir uma estratégia de longo prazo capaz de oferecer novas respostas aos desafios econômicos, sociais, ambientais, energéticos e políticos do mundo moderno, por meio de acordos que possibilitem ações para um novo padrão de produção e consumo sustentáveis.

Tal direcionamento político deve ser acompanhado por uma forte pressão para a manutenção e criação de novos postos de “trabalhos verdes”. Esta iniciativa, sob nossa visão, configura-se como uma importante estratégia para estruturar toda a política de Desenvolvimento Sustentável e Transição Justa. Contudo, diferentemente de outras “versões rebaixadas”, não existe emprego verde sem que estejam garantidos todos os aspectos do conceito de trabalho decente.

De acordo com a OIT o conceito de empregos verdes são os “postos de trabalho decente em atividades econômicas que contribuem significativamente par reduzir emissões de carbono ou para melhorar/conservar a qualidade ambiental.” Desta maneira, os empregos verdes podem ser uma alternativa para combater a crise econômica, aliada com a redução de emissão de carbono. Portanto, devem estar integrados a fatores econômicos, ambientais e sociais, para que se possa atingir a sustentabilidade.

Os postos de emprego verde precisam ser postos de trabalho decente, com componente associados a benefícios que conciliem proteção ao meio ambiente, justiça distributiva e auxiliem na construção de uma economia de baixo carbono.

O estudo da OIT “Empregos Verdes no Brasil: quantos são, onde estão e como evoluirão nos próximos anos” de 2009, identifica em nosso país a existência de 2.653.059 empregos verdes, que representam 6,73% do total de empregos formais existentes.

Estão assim distribuídos:

- Produção e manejo florestal: 139.768

- Geração e distribuição de energias renováveis: 547.569

- Saneamento, gestão de resíduos e de riscos ambientais: 303.210

- Manutenção, reparação e recuperação de produtos e materiais: 435.737

- Transportes coletivos e alternativos ao rodoviário e aeroviário: 797.249

- Telecomunicações e tele atendimento: 429.526

Sabemos que a juventude, seja no Brasil, nas Américas, ou ao redor do mundo, têm duas características fundamentais de inserção no mercado de trabalho: a condição de desemprego e a precarização (informalidade, empregos não decentes, alta rotatividade).

Análises da OIT sobre o desemprego juvenil nos países da América Latina demonstram que, embora necessário, o crescimento econômico não resolve por si o problema do desemprego entre os/as jovens. Da mesma maneira, a criação de “empregos verdes” somente poderá trazer aspectos positivos para a juventude trabalhadora se de fato tiverem condições de trabalho decente.

Conforme já mencionado, grande parte dos chamados empregos verdes estão sob a forma de empregos de telecomunicações e tele atendimento. Muitos destes postos de trabalho, senão a quase totalidade destes, têm jornadas de trabalho elevadíssimas, baixos salários, alta rotatividade, fortes impactos negativos na saúde dos trabalhadores, e, empregam muitos jovens. Não é este tipo de geração de emprego que nós da Juventude da CUT Brasil defendemos.

Defendemos a necessidade da mudança do padrão de desenvolvimento atual para um desenvolvimento no qual a sustentabilidade humana e ambiental estejam asseguradas. O desenvolvimento sustentável somente será possível se garantir trabalho decente para a juventude.

No Brasil, construímos uma experiência inédita da Agenda Nacional de Trabalho decente para a juventude. Um passo importante para formular propostas e ações de políticas públicas para jovens e para inserção desse segmento nas negociações coletivas dos sindicatos.

Defendemos a criação de empregos verdes para a juventude incluída em uma estratégia de promoção de trabalho decente para a juventude, que considere a heterogeneidade e as desigualdades que marcam a juventude, especialmente por conta das dimensões de gênero, sexo, raça, classe social e que considere os e as jovens como sujeitos de direitos.

15 de maio de 2012

Jovens trabalhadores sofrem com assédio moral e dupla jornada, mostram pesquisas

Enfrentar o cotidiano de trabalho e estudos e sofrer assédio moral são problemas que afetam os trabalhadores desde a juventude, indicam duas pesquisas realizadas por alunas de mestrado da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP). Em um dos estudos, a psicóloga Samantha Lemos Turte procurou identificar se trabalhadores jovens sabem reconhecer violência psicológica no cotidiano de trabalho. No decorrer das entrevistas com 40 adolescentes com idade inferior a 18 anos, residentes na zona sul da capital paulista, a especialista detectou situações que podem ser entendidas como violência psicológica. A pesquisa foi feita em 2009 e 2010.

Entre os abusos relatados pelos adolescentes estavam desde constrangimentos provocados por outros funcionários da empresa até a atuação em funções para as quais não foram contratados. Também chamou atenção a banalização das más condições de trabalho a que jovens e adultos estão submetidos. Segundo ela, é comum ouvir que trabalhar é ruim e difícil. Essa mentalidade faz perder a noção de que a promoção da saúde mental deve ser estendida ao ambiente profissional. “Naturalizamos problemas do trabalho e irradiamos na nossa vida pessoal”, afirmou a pesquisadora.

Inicialmente os jovens não sabiam reconhecer se haviam sido vítimas de violência psicológica. Mas, ao serem informados da definição do termo, compararam a situação ao bullying, prática de agressão comum entre crianças na idade escolar. Jovens com noção sobre o que é assédio moral demonstraram ter mais segurança em defender-se da prática e reclamar por seus direitos.

Peso duplo
 
A influência da dupla jornada na vida dos jovens trabalhadores foi tema da pesquisa da psicóloga Andréa Aparecida da Luz, também da FSP/USP. A pesquisadora entrevistou 40 adolescentes entre 14 e 20 anos, da zona sul da capital paulista, inscritos em uma ONG que prepara jovens para atuar em empresas parceiras.

O estudo realizado entre 2008 e 2010 identificou alterações na vida e na saúde de adolescentes aprendizes, como perda ou ganho excessivo de peso, sonolência e, principalmente, diminuição da capacidade de manter a atenção e queda no desempenho escolar. Todos os jovens trabalhavam há pelo menos seis meses, no turno diurno, e eram expostos a uma jornada de trabalho de 40 horas semanais, além da dedicação aos estudos no período noturno.

Durante as entrevistas, Andrea ouviu relatos de abusos no trabalho, como cumprir as mesmas metas e cotas de funcionários com capacitação técnica, ou substituir cargos de chefia na ausência de supervisores. Dos 40 jovens que participaram da pesquisa, apenas um descreveu ter recebido treinamento específico para a função que exercia.

Apesar das dificuldades, a maior parte dos adolescentes não pensava em deixar o emprego, principalmente por desejarem custear um curso universitário. Alguns adolescentes eram responsáveis por 65% da renda familiar. Ela também percebeu motivações dos jovens trabalhadores relacionadas ao ganho de status e poder de consumo. Mas questiona: “a que preço?”.